Manter o Simples como está
ou recolher IBS e CBS por fora?

O dilema entre o Simples Puro e o Simples Híbrido. A partir de 2027, a empresa do Simples terá duas formas de recolher o IBS e a CBS, os novos tributos da Reforma Tributária. Uma delas permite crédito integral para os clientes. A outra preserva a simplicidade. Nenhuma delas é necessariamente mais econômica. Tudo interfere na conta: tamanho do faturamento, tipo de gastos, tipo de clientes. Não existe resposta genérica. Existe a resposta dos seus números.

Entender o que muda

Com nove perguntas, te ajudamos a achar o caminho por onde seguir.

A decisão tem janela
1º a 30 de setembro efeitos em 1º de janeiro 1º a 31 de março efeitos em 1º de julho

A opção pelo Simples Híbrido não é feita a qualquer momento: ela tem prazo semestral e vale para todo o período seguinte. Quem optar pelo Simples Híbrido pode voltar atrás até 30 de novembro (opção feita em setembro) ou 31 de maio (opção feita em março). Perder a janela é decidir por omissão — e ficar com o resultado disso até a janela seguinte.

O que muda

A partir de 2027, o Simples ganha um novo ponto de decisão

Simples Puro

Mantém as coisas como estão. CBS embutida na guia única, como funciona atualmente para PIS e COFINS. IBS incluído na guia única para quem fatura até R$ 3,6 milhões/ano e pago por fora para quem fatura acima disso, igual a ICMS e ISS hoje. Sem preocupação com débitos e créditos.

Simples Híbrido

O IBS e a CBS saem da guia e passam a ser apurados por débito e crédito, como no regime regular. A guia única continua existindo, reduzida, com IRPJ, CSLL e os demais.

Os dois caminhos

Cada opção protege uma coisa diferente

O Simples Puro protege a praticidade. O Simples Híbrido privilegia os créditos do seu cliente, e dependendo do caso, pode ser mais econômico. As perguntas a serem respondidas são: qual sua prioridade e quanto ela te custa?

Simples Puro

Como regra, IBS e CBS são incluídos no DAS.

  • Simplicidade que já existe Menos exigência fiscal, contábil e operacional sobre uma estrutura que é feita para ser enxuta.
  • Capital de giro preservado Escapa do controle rígido de débitos e créditos e da retenção na liquidação, que pressionam o fluxo de caixa antes de qualquer economia aparecer.
Simples Híbrido

O DAS continua, reduzido. O IBS e a CBS saem dele e passam a ser apurados no regime regular, com débitos e créditos.

  • Crédito integral para o cliente PJ Quem compra de você aproveita o crédito integral sobre a nota fiscal, ao invés do crédito reduzido de quem está no Simples Puro. Ganho de competitividade.
  • Crédito das próprias compras Insumo, mercadorias para revenda e demais itens permitidos passam a reduzir os débitos gerados pelas vendas — o que fica interessante quando a margem de lucro é estreita.
Comparação entre o Simples Puro e o Simples Híbrido
Critério Simples Puro Simples Híbrido
Forma de recolhimento Tudo unificado na guia do DAS. DAS reduzido, além de apuração própria de IBS e CBS
Crédito gerado para o cliente Parcial, limitado ao que vem embutido no DAS Integral sobre valor destacado na nota
Crédito das próprias compras Não aproveita Abate o tributo devido nas vendas
Complexidade da apuração Baixa Média a alta: exige classificar documentos e controlar saldos
Efeito no capital de giro Previsível Afetado pela retenção, inadimplência de fornecedores e pela existência de saldo credor
Não decidir custa caro

Não escolher também é uma escolha — só que despreparada

Quem deixa a janela passar não fica neutro: fica no Simples Puro, amarrado até a janela seguinte. Estes são os efeitos que aparecem depois, quando o prazo já fechou.

Seu cliente pode trocar de fornecedor

O comprador que não recupera crédito integral faz as contas. Sua opção pelo Simples Puro pode ajudar a concorrência.

Seis meses preso ao resultado

A opção vale para o período inteiro. Descobrir no meio do caminho que o outro sistema de apuração era mais barato não te recupera o tempo perdido. Mas te ajuda dali para frente.

Caixa surpreendido pela apuração

Migrar sem medir o volume de crédito troca uma guia previsível por um saldo que oscila. Quem entra no Simples Híbrido sem fazer as contas assume a complexidade extra e pode acabar pagando mais.

Estrutura contábil despreparada

O Simples Híbrido exige classificação rigorosa de documento, controle de crédito e obrigações adicionais. Decidir sem verificar se a operação suporta isso transforma vantagem fiscal em passivo.

Antes de começar

O que você precisa ter em mãos

Nove perguntas, uma de cada vez. Onde não houver número fechado, uma estimativa honesta serve — o objetivo é comparar ordens de grandeza entre os dois regimes.

  • Faturamento dos últimos 12 meses
  • CNPJ
  • Gastos
  • Perfil dos seus clientes (pessoa jurídica ou pessoa física)
A decisão não espera

O teste te dá o diagnóstico. A janela dita o prazo.

Cada tipo de atividade, gasto e cliente muda a conta — e a janela para decidir fecha duas vezes por ano. Rode o teste com os seus números agora e saiba, hoje, qual dos dois caminhos protege mais o seu negócio.

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